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E depois do Mira?

A estudante de Design da UTFPR (Universidade Federal do Paraná) Ana Paula Conde conta como foi o Festival de Arte e Cultura Mira, em Pelotas

“É na arte que o homem se ultrapassa definitivamente” Simone de Beauvoir

“A partir do século XV as artes, que antes eram voltadas a religião, são repensadas e o homem passa a ser o centro de tudo. Depois disso, o Iluminismo, a ciência, a razão e o empirismo são supervalorizados e os movimentos artísticos sofrem essa influência. 

Hoje em dia, somos fortemente influenciados sobre essas perspectivas, a arte no Cristianismo e a transcendência da arte além da religião. Pensar em arte além da religião, mesmo sendo cristãos, e deixar que essa influência de pensamentos em essência influencie em todas as outras áreas da nossa vida, além da espiritualidade, ainda é um pouco novo para algumas pessoas.

Com todo esse contexto, o Festival !Mira! trouxe um novo olhar sobre tudo isso, e conseguiu fundir e abranger o homem como um todo e transmitir um pouco do olhar artístico e cultural desses novos pensamentos que levam em consideração o contexto em que o homem está inserido, as influências desta geração e tudo que o rodeia e evidencia suas experiências, reflexões e cosmovisão. Foi um festival idealizado por estudantes cristãos, mas, que conseguiu abranger pessoas que não professam a mesma fé, exatamente por ser pensado na integralidade do ser humano e como a arte, que transcende a religião, pode ao mesmo tempo incluí-la.

Fomos convidados a começar perceber o lugar onde vivemos e a América em que nós, como brasileiros, estamos inseridos. O festival todo foi trabalhado de modo que essas percepções sobre a relação entre o Brasil e a América Latina florescessem e estabelecessem ligações diretas, para que então percebêssemos o quanto latino-americanos somos.

A programação foi estendida, desde a manhã até a noite, e abrangeu mesas de debate sobre xenofobia, identidade e política latino-americana, mulher no contexto latino-americano, cultura, soberania alimentar e racismo, isso tudo intermediadas por mestres e doutores das diversas áreas de formação, de acordo com o tema proposto. Foram também oferecidas oficinas de expressão corporal, Missão integral, Triângulo Mágico da Fotografia, mosaico, Desenho de Figura Humana, carimbo, técnicas de spray, apropriação de objetos com spray, cianótipo, interculturalidad e consciência corporal, todas ministradas por pessoas que atuam/trabalham na área e a oficina de interculturalidad foi conduzida por dois estudantes intercambistas do Equador e que fazem parte do Cece Ecuador (movimento filiado à Comunidade Internacional dos Estudantes Evangélicos). A música ficou por conta de Marco Gottinari, Guilherme Scardini e Simonami. O cinema também marcou presença com o documentário A Linha Imaginária e O Liberdade. Teve também uma mostra teatral e exposição de obras de arte de artistas vindos de várias partes do Brasil.

Ufa! Sim, tudo isso aconteceu em menos de uma semana, entre os dias 21 a 25 de outubro.

Bom, o que eu posso levar dessa experiência? O trabalho foi grande, para organizar tudo deu muito trabalho (a organização começou em maio), principalmente pra quem estava à frente da festival desde o começo, mas foi gratificante ver as pessoas participando, comentando, divertindo-se, acrescentando em conhecimento e compartilhamento de ideias e culturas diferentes. Vi Cristo sendo mostrado através dessa “prestação de serviço à sociedade”.

As oficinas e mesas de debate que participei me proporcionaram novas experiências e abriram meus olhos para me sentir parte da América Latina e poder identificar a forte cultura que nos rodeia. A mostra teatral também foi bastante interessante e outro olhar artístico me foi apresentado. A exposição foi muito tocante e reflexiva. As mostras de cinema direcionaram os pensamentos a respeito da cultura em que estamos inseridos e toda sua abrangência para povos que estão muito próximos a nós mas que não enxergamos. A música de Marco Gottinari foi leve e gostosa de ouvir. E pra fechar com chave de ouro todo o festival, a bela melodia suave e poética de Guilherme Scardini abrilhantou o fim de tarde e a noite seguiu com show de Simonami, a banda curitibana que canta sobre o cotidiano e enche os olhos dos ouvintes com tanta delicadeza e leveza de melodias.

O Festival, como todo, foi maravilhosamente concebido e com toda a certeza será lembrado com muito carinho por todos participantes e envolvidos. Eu, particularmente, que nasci e vivi maior a parte da minha vida no interior de São Paulo, não via e nem sequer imaginava o quanto próximos e interligados estão os países ao redor do Brasil, não apenas em divisa de território, mas também em língua, cultura e percepções. Fazer parte disso tudo foi muito gratificante e interagir tão de perto com pessoas com ideias e vivências tão diferentes me fazem perceber o quanto temos que aprender e tudo o que ainda temos por viver”.

Quer ver as fotos do Festival Mira? Confira no Facebook.

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