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Ministração da Mensagem Bíblica - Oficina

MINISTRAÇÃO DA MENSAGEM BÍBLICA - OFICINA

 

PREPARATIVOS

-ASSUNTO

-REFLEXÃO

-MENSAGEM

O AMBIENTE

- SENSIBILIDADES

- LEITURA DO PÚBLICO

- ASPECTOS DIVERSOS

A MINISTRAÇÃO BÍBLICA

- O QUE FOI ESTUDADO

- O CORPO DA MENSAGEM

- A EXPOSIÇÃO BÍBLICA

APLICAÇÃO PRÁTICA

- SENTIDO E SIGNIFICADO

- FECHAMENTO

- LEVANDO O SERMÃO PARA CASA

 

 

PREPARATIVOS

 

Sem dúvida, o sermão começa bem antes da exposição propriamente dita. Há alguns fatores essenciais que devem ser levados em consideração ao falarmos sobre ministração bíblica. Primeiramente devemos perceber que tipo de ministração nós pretendemos fazer, isto é, de que forma iremos ministrar a Bíblia. Quem é meu público? Sinto-me preparado para falar? Estas e outras perguntas merecem ser respondidas com sinceridade e encaradas como um desafio pessoal.

 

Segue algumas orientações quanto aos preparativos:

 

-ASSUNTO. Quando falamos em assunto estamos nos referindo prioritariamente ao tema da ministração. Será um tema que irá abordar o Evangelho (Cristocêntrico)? Fala de cultura (comportamento, costumes, histórias particulares)? Será uma abordagem que dará ênfase à Ética ou à Justiça social? Alguma consideração motivacional?

Assim que ficar bem claro qual é o assunto da ministração, um período de reflexão deve ser iniciado. A partir daí a oração, a atenção, o empenho e a mente disposta a aprender mais sobre o tema deverão ser bons motivos para que o assunto fique em mente (ainda que não no papel) se possível durante vários dias.

 

-REFLEXÃO. Como deve ser o período de reflexão? Quando estamos diante de um espelho, nossa imagem está sendo refletida através do espelho e ao mesmo tempo nos vemos no espelho. Com qualquer temática não é diferente. Devemos pensar no assunto e depois pensar sobre o assunto, estudar o assunto e o que já ensinaram sobre o mesmo. Dê preferência a bons expositores de qualidade literária. Bons comentários bíblicos sempre nos ajudam, por isso procure ter variados comentários bíblicos em mãos, além do maior número possível de versões da Bíblia. Lembrando que os comentários não devem ser internalizados antes do texto bíblico, pois podem tornar nossa “leitura viciada”.

-MENSAGEM. É preferível chamarmos de mensagem até que tenhamos definido a forma como a iremos expor. Por exemplo, um sermão quando é baseado em apenas um versículo bíblico ou um tema dentro deste, chamamos de Sermão Temático (Ex: “O amor de Deus” João 3.16). Já um sermão que utiliza um texto de poucos versículos, mas bem coesos definimos como Sermão Textual (Ex: “A viúva pobre” Lc 21.1-4). Geralmente o que chamamos de exposição bíblica quase nunca tem sido “Exposição” na prática. Tal equívoco se deve à falta de preparo e estruturação do que vem a ser um Sermão Expositivo, pois este tipo de sermão é caracterizado pela escolha de um texto bíblico com no mínimo 5 (cinco) versículos e principalmente pela exposição dos mesmos, um por um (Ex: “As bem-aventuranças” Mt 5. 1 a 13). Na prática todo sermão deve ser expositivo, pois é o entendimento da mensagem apresentada de forma coerente e clara que permite sua compreensão.

A mensagem pode ser ainda apresentada por outros métodos onde a dinâmica não é um orador e uma platéia. Um exemplo típico de apresentação da mensagem que funciona muito bem em pequenos grupos é o Estudo Bíblico. Geralmente quem irá conduzir ou ministrar a mensagem, deve tomar cuidados com o modo como a apresenta. Existe um preparo específico para cada situação. A mensagem Bíblica pode até ser a mesma, porém o contexto (o ambiente e o tempo) sempre irá variar.

 

O AMBIENTE

 

Ao falarmos de ambiente, estamos nos referindo especificamente ao contexto, ou seja, ao lugar, tempo e pessoas que ouvirão a mensagem. Já que as pessoas, o espaço e o tempo quase sempre são diferentes, então devemos valorizar este aspecto.

 

   - SENSIBILIDADES. Costumamos ouvir diversos ensinos sobre a necessidade de “ouvirmos o Espírito que está falando”. Apocalipse começa assim! Isto é realmente uma necessidade em nossos dias, contudo não podemos esquecer que devemos ouvir também o mundo. Sim, isso mesmo, “ouvir o mundo”. Erramos, quando preparamos uma mensagem com todo o empenho no ímpeto de dar respostas sem ao menos nos preocuparmos em saber qual é a pergunta. Por isso mesmo devemos ouvir o mundo. Andar pelas ruas, conversar com pessoas ‘desinteressantes’, ‘ler’ a TV, o cinema e a Universidade também são boas dicas para ‘ouvirmos perguntas’.

Um dos dilemas cristãos durante esses vinte séculos de história cristã é sobre o modo como devemos seguir a Cristo. Há os que acham que nossa vida deve ser isolada do restante da sociedade (ex: alguns monges), enquanto outros definem a vivência cristã verdadeira somente em meio a oposições, e isto só vivendo no “meio” da sociedade. Como “toda exposição bíblica é apologética (tem de ver com defesa de fé)”, a percepção do público ganha importância enquanto preparamos ou expomos a mensagem do Evangelho.  

 

    - LEITURA DO PÚBLICO. A percepção que se tem do público está relacionada à sensibilidade é a leitura de quem vai ministrar o estudo ou sermão. Leitura no sentido de ver as pessoas, captar os semblantes, estudar o ambiente e as motivações de quem deverá ouvir a mensagem. Por exemplo, precisamos saber se é um público em sua maioria de analfabetos, estudantes, seminaristas, cristãos nominais ou pessoas que nunca participaram de um estudo, reunião em pequeno grupo ou culto público. Não iremos reformular a mensagem, apenas a maneira de comunicá-la.

 

     -ASPECTOS DIVERSOS. É necessário ficarmos atentos a outros aspectos que podem surgir antes ou durante a ministração bíblica. Ex: casos de perseguição externa, dissimulação dos ouvintes (pouco caso), perturbações de espírito ou provocadas por drogas.

 

A MINISTRAÇÃO BÍBLICA

 

- O QUE FOI ESTUDADO. Comumente, na hora de ministrar a mensagem, somos afetados por fatores externos. No entanto, não podemos perder o foco daquilo que preparamos seja na reflexão ou estudo do assunto. Deus sempre orienta aquele que busca seu conselho (Tg 1.5). Não se preparar, não ter estudado sobre o assunto por falta de compromisso e depois alegar publicamente que o ‘Espírito’ acabou de dar uma “mensagem ao seu coração” é na pior das hipóteses falta de sinceridade. Claro que a orientação do Espírito Santo deve acontecer sempre (antes e durante a ministração), mas não deve ser atribuída a Ele nossa falta de responsabilidade. Se acontecer de você ter preparado uma exposição e devido a alguns fatores tiver de mudá-la, o público não precisa ser informado. Quando isso acontece, parece que a expectativa dos ouvintes é diminuída (Alguém pensará: agora terei de ouvir uma série de improvisos).

 

    - O CORPO DA MENSAGEM. Algumas pessoas costumam escrever tudo que irão falar, outras não escrevem nada, mas há também as que preferem um pequeno roteiro com tópicos para não se perder no decorrer da ministração. O importante é que tanto o sermão como o estudo bíblico, precisa ter um roteiro lógico. Não dá pra começar o sermão falando de Ética e no terminar dizendo que o “Obama é o Anti-Cristo”, ou iniciar falando de como Deus chama as pessoas à Salvação e no fim realmente ficar “apelando” para alguém se converter. Seja na mente ou no papel, a mensagem precisa de um corpo, um roteiro bem feito, algo que as pessoas digam: “eu entendi o que você falou”. Este resultado é importante para quem fala e para ouve.

 

   - A EXPOSIÇÃO BÍBLICA

 

Sermão: Título/Texto

             Introdução

             Tópicos ou Subtítulos (referências)

             Considerações

 

Estudo: Roteiro (Recurso a todos)

            Exposição

            Comentários intercalados de Perguntas (Se fizer uma pergunta, espere a resposta)

            Fechamento do assunto. Não precisa sair como dono da verdade, apenas expô-la.

 

APLICAÇÃO PRÁTICA

 

   - SENTIDO E SIGNIFICADO. Que a Palavra de Deus é eficaz e produz bons frutos nenhum cristão duvida, mas daí achar que toda vez que alguém “falar da Bíblia”, ela agirá no coração e no entendimento das pessoas é no mínimo falta de bom senso. Apenas a leitura da Bíblia ou saber alguns versículos decorados não garante que sejamos bons expositores. Podemos “rodar” a Bíblia toda e falarmos a noite inteira, mas se o que falamos não teve sentido, certamente não irá significar que a Palavra não teve efeito, somente que a Palavra não foi exposta ou ensinada como ela é. A importância da Bíblia se deve justamente ao fato de ter sido escrita por pessoas diferentes e em épocas totalmente diversas e ao mesmo tempo manter a coerência. Se a Bíblia mantém a coerência, a exposição da mesma não pode fugir a essa exigência.

 

  - FECHAMENTO. Todo sermão ou estudo exige um término, pode até não ser imediato. Contudo, o fechamento pode ser conclusivo, propositivo ou reflexivo (pessoal ou comunitário). Uma boa apresentação requer uma consideração final. Não precisamos deixar o melhor para o final, pois toda a mensagem deverá ser informativa e transformadora. Neste momento as ênfases dadas nos tópicos (se foi usado), em algumas perguntas retóricas (que necessariamente não precisam de respostas públicas), ou mesmo em atitudes de personagens devem ficar bem claras.

            Depois de alguns minutos ouvindo ou dialogando em grupo sobre uma mensagem bíblica, alguns detalhes jamais serão esquecidos, por isso devemos enfatizar (relembrando) estes pontos importantes do Evangelho e que irão ficar guardados na mente e coração dos ouvintes.     

 

  -LEVANDO O SERMÃO PARA CASA. Não há nada mais gratificante que ouvir e assimilar uma boa exposição da Palavra (Ap 10). João fazia isso em Patmos, quando ouviu uma voz: “pegue o livro e coma”. Mais que uma apreciação, Deus nos chama a nos envolvermos com a Bíblia. Quando diz: “Coma” (disse a Isaías e a Ezequiel), está se referindo ao processo de digestão em que o que comemos passa a fazer parte do nosso corpo e é encontrado da planta do pé ao cérebro, no sangue e nas células. Se nos dispusermos a “comer a Palavra” ela passará a fazer parte da nossa vida. A reflexão Bíblica (Teologia) é acima de tudo algo para o nosso cotidiano. A verdade deve ser encarnada por quem fala dela. O Amor, a Justiça, a Esperança e a Fé são presentes de Deus que devem ser levados para casa e bem guardados em nosso ser.

 

Aplicações práticas

 

1) Reúna um grupo de amigos (3 pessoas) e produzam um Sermão Expositivo a partir de Lc 18.1 a 8. 

2) Façam um sermão com o tema: “Sal da terra”

3) Copie os tópicos dos próximos 3 sermões que você ouvir. Depois, analise o sentido do que foi falado e se houve clareza quanto às idéias apresentadas.

4) Faça individualmente um sermão com um tema que você precisaria ouvir. Ao final dele comprometa-se com a verdade do Evangelho e lembre-se que falamos melhor daquilo que precisamos mudar em nós mesmos.

 

 

 *Este Roteiro é para oficina presencial, por isso alguns pontos dele não são auto-explicáveis.

Fernando Costa. Assessor da ABUB/Norte. Fernando@abub.org.br