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Campanha de Oração NE: Busca por justiça, um dever do cristão

Muitas são as causas que por vezes “nos esquecemos” de orar. A escravidão é uma dessas coisas. Embora a abolição da escravatura tenha acontecido há tantos anos, ainda hoje estima-se que existam mais de 25 milhões de pessoas escravizadas no mundo. A migração ocorre em larga escala, por diversos motivos e faz com que haja o tráfico humano em todos os continentes, escravidão generalizada de mulheres e crianças no comércio sexual. O abuso de classes continua a acontecer diante dos nossos olhos e por vezes nos vemos de mãos atadas, como se não tivéssemos o que fazer.

Além do tráfico de pessoas, há também o de armas e drogas, questões extremamente relacionadas. Segundo os dados divulgados em 2010 pelo Ministério da Justiça, o número de armas ilegais no Brasil chega a 7,6 milhões (provavelmente hoje esse número é muito maior) e desse total de armas, 80% são de fabricação nacional, muitas delas até de origem legal, mas que acabam entrando para o mercado clandestino após roubos, corrupção da polícia e outras causas. Sabemos também que, infelizmente, essas são atividades lucrativas o que faz com que esses números continuem crescendo.

Todas essas questões estão diretamente ligadas à violência urbana, que também é outro fator que vemos crescer diariamente e tememos. A bíblia diz que em um mundo cercado de violência, o Senhor cuida e guarda o seu povo dos diversos perigos que possam surgir e somos ensinados a viver em paz com todos, a amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem (Mateus 5:44/NVI). Também em Miquéias 7, aprendemos que o comportamento do homem violento não deve ser adotado pelos filhos de Deus e que todos estão à espreita para derramar sangue; Mas além disso, em Provérbios 31:8 (NVI) somos ensinados a erguer a voz em favor dos que não podem defender-se, que sejamos defensores de todos os desamparados. 

A igreja tem compromisso com a busca pela justiça ou reparação, quando apropriado, aos que tenham sido atingidos pela violência e pela opressão. Como cristãos, temos muito a fazer e principalmente orar.  Viver nesse mundo requer ter consciência de direitos democráticos, construção de valores e também se mobilizar para que haja mudança nessa estrutura violenta e que marginaliza tantas pessoas. É  mudar a realidade a partir da ação com os outros e da oração. 1 Coríntios 14:15 (NVI) nos ensina que devemos orar com espírito e com entendimento e 1 Timóteo 2:1 (NVI) diz que antes de tudo, devemos fazer súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. 

A fé diz respeito à vida humana em todos os aspectos, por isso deve estar presente em todas as áreas da vida, tanto pessoal, quanto social. A fé não pode ser reduzida a nossa individualidade, como se ela não tivesse nada a ver com o modo como nos relacionamos com as outras pessoas. Através da nossa fé temos acesso a um Deus que vê a opressão do seu povo, escuta seus clamores, sabe do seu sofrimento e desce para libertá-lo (Êxodo 3:7-8/Nvi). A propagação da justiça não é opcional na vida da Igreja, por isso o cristão deve promover a “libertação dos cativos”. Ainda em Miquéias Deus fala claramente sobre nosso papel quanto a busca por justiça “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Miquéias 6: 8/NVI).

Isso deve incluir a abordagem dos fatores sociais, econômicos e políticos que alimentam esse comércio.Os escravos em todo o mundo apelam à igreja de Cristo: “Libertem nossas crianças. Libertem nossas mulheres. Sejam a nossa voz. Mostrem-nos a nova sociedade que Jesus prometeu” (Compromisso da Cidade do Cabo).

Maria Luísa - Coordenadora de oração da região nordeste