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Campanha de Oração NE: Vivendo a obra de Cristo na política

Há alguns anos, é possível testemunhar uma escalada nos ânimos daqueles que desejarem se inserir no debate público sobre política nacional. Em tempos de redes sociais, hashtags e trending topics, isso significa uma enorme quantidade de pessoas que se veem no papel de ter uma opinião política fechada, e até mesmo de estar ativo na defesa de determinada vertente de pensamento. Pessoas que há poucos anos não sabiam elencar o nome de quinze membros da câmara dos deputados, ou que não faziam ideia da existência e das regras do fundo eleitoral, hoje se veem não apenas como participantes do processo político, mas como detentores da razão. 
Deu-se início a um movimento de “militarização” da política, o jogo do “nós contra eles”, e essa iniciativa se mostrou tão impositiva que nos vimos obrigados a abraçar um lado. Nessa situação, abraçar um lado incluía necessariamente a condenação sumária do grupo oposto. E assim ouvimos o relato de jantares de família, almoços de domingo e mesmo ceias de ano novo sendo estragados pelas animosidades políticas. Qualquer assunto, mesmo aqueles sobre os quais sabemos pouquíssimo, seria o bastante para iniciar um conflito. 
A verdade é que não estávamos preparados para esse debate público. Não apenas por questões de conhecimento histórico e político, mas porque nossos princípios não estavam amadurecidos. Na rede social, não éramos capazes de enxergar pessoas que tinham histórias e experiências particulares e partíamos para o ataque sem pensar duas vezes. Na “vida real”, importávamos o comportamento anterior e éramos capazes de dirigir ataques até mesmo àqueles que sempre amamos, quanto mais os de fora. E os cristãos também não conseguiram atuar de forma correta nesse meio. De repente, todas as instruções de santidade das Escrituras eram esquecidas em favor de questões secundárias. Nesses momentos, é necessário reforçarmos o ensinamento bíblico.
A carta a Tito foi escrita quando ele estava em Creta. Essa ilha não era conhecida pela boa ética dos seus moradores. Em Tito 1.12-13, Paulo utiliza o próprio testemunho de um residente para evidenciar o mau-caratismo e perversão dos cretenses. Em outras palavras, Tito e a igreja em meio a uma sociedade grandemente corrupta. Mas logo após uma série de instruções para formação de liderança, combate aos falsos profetas e responsabilidade cristã dos diversos grupos sociais da igreja, Paulo traz ainda uma prescrição bastante desafiadora: “Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens” (Tito 3.1-2).
Não bastando a instrução de obediência às autoridades, Paulo ainda orienta a necessidade de não nos envolvermos em difamações e contendas. Pelo contrário: a orientação é a de que sejamos sensatos e demonstremos gentileza (ou humildade) a todos, sem restrição. E tal diretriz não se resume aos cretenses, pois sua base é o fato de que “nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, [...] ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3.3-5). Em outras palavras, a base para a nossa sujeição às autoridades e o amor irrestrito ao próximo é a própria obra graciosa de Cristo em nós. Vamos proclamar em palavras e atos essas verdades bíblicas, e orar para que a igreja encarne a palavra cristã. 

 

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