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Boletim Literário: Vocação

Nona edição do material da ABUB Minas Gerais

O boletim literário tem por objetivo incentivar a literatura e a arte na região. Será publicado mensalmente no site e divulgado no Instagram, contendo resenhas e demais produções artísticas, reflexões e outros materiais de estudantes e profissionais do movimento. Este é um espaço feito para todas e todos. Entendemos que a arte também é uma manifestação do evangelho e que se somos feitos a imagem do Criador, somos chamados para a criatividade.

Neste segundo semestre de 2020, a ABUB propôs um tema para nortear a nossa caminhada e Missão: Visão, vocação e vivência missionária no mundo estudantil.

Durante o mês de setembro, o tema trabalhado foi a vocação. Como podemos ver a ligação da nossa formação universitária e Deus? Priscila Abreu da ABU Belo Horizonte escreveu um lindo texto sobre como ela enxerga Deus no seu curso, a arquitetura.

Eclesiastes 3 – Estudo de caso: estruturas em concreto

Que existe uma relação entre a resistência do concreto e o tempo meus amigos da engenharia e da arquitetura já sabiam. Mas o que isso tem a ver com Eclesiastes 3? Não é dessas áreas e nem sabe do que eu estou falando? Eu vou explicar.

O concreto é um material amplamente empregado na construção civil e, basicamente, as vantagens de sua utilização são:

1- economia (disponibilidade de matérias-prima, facilidade em encontrar mão de obra)

2- elevada durabilidade (quando comparada a outros sistemas construtivos)

3- flexibilidade (facilidade de ser moldado de várias formas)

4- boa resistência (à compressão, ao fogo e ao desgaste ao longo do tempo)

O concreto é uma mistura de cimento + água + agregados graúdos (pedregulho ou brita) + agregados miúdos (areia) + aditivos (compostos industriais que melhoram alguma qualidade sua). A mistura desses elementos vira uma massa que será colocada em uma fôrma, e depois de secar será retirada da forma para então começar a servir, efetivamente, na função que lhe é devida.

Os especialistas (arquitetos, pedreiros, mestres de obra, engenheiros e tantos outros) projetam e executam as estruturas para atingir a resistência necessária que foi especificada, anteriormente, no projeto estrutural. A resistência do concreto aumenta com o tempo e depende diretamente dos processos de lançamento (colocação do concreto nas fôrmas), adensamento ou vibração (para preencher os vazios do lançamento e retirar o ar), cura (processo que impede a evaporação prematura da água da mistura, necessária para a hidratação do cimento) e retirada das fôrmas e escoras (de modo a respeitar o tempo da cura para que a peça estrutural não sofra deformações e se sustente). Qualquer problema em qualquer um desses processos implica em patologias para a estrutura: trincas, segregação, manchas, descamações e até o colapso. A estrutura de concreto, portanto, pode ter um bom aspecto visual, ser resistente, prática, útil, assim como se não executada corretamente, pode ser tortuosa e frágil. Nesse processo o segredo é respeitar o tempo.

Imagine tirar as escoras do concreto antes da resistência chegar a um nível aceitável? Imagine desenformar a peça sem o endurecimento da pasta? Imagina esquecer de adensar a massa de cimento ou vibra-lá depois do tempo previsto? Imagina deixar o concreto muito tempo exposto ao sol sem proteção e então isso faça com que a água evapore antes da hidratação completa?

Agora que você virou um expert em concreto, deve estar, internamente, respondendo que tudo isso vai prejudicar a formação e o desempenho da estrutura. É isso! Há um tempo para tudo:

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Eclesiastes 3:1

A realidade, meus amigos, é que eu com minha ansiedade de amadurecer rápido, me exponho às intempéries e deixo ir embora elementos importantes para o decorrer do meu processo de desenvolvimento. Eu esqueço que, em alguns momentos, é necessário me adensar para retirar os espaços que não podem mais estar aqui — para que eu fique mais sólida. Estou sempre tentando viver meu tempo, sem entender o processo e incapaz de visualizar o final da obra, sigo desrespeitando o projeto. Me atraso, me adianto.

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” Eclesiastes 3:11

A realidade é que, para ser bem sincera amigos, eu tenho tirado as escoras e as fôrmas bem antes do tempo por achar que já consigo suportar o meu peso próprio, e assim, eu me deformo, me trinco, às vezes se desprendem algumas partes de mim e, só por causa dos reforços estruturais do projetista do universo, as coisas aqui não entram em colapso.

E tudo bem amigos, nenhuma estrutura é perfeita. Todo projetista sabe disso ainda na fase de concepção da ideia. Mas mesmo assim ele a projeta para uma determinada função, peça a peça para ser parte de uma estrutura maior.

E depois da estrutura madura, ainda tem muita obra; as vedações, os vãos, a cobertura, o piso, as infra-estruturas hidráulica e elétrica… e depois disso ainda vai ter tanta coisa para fazer; os acabamentos, os elementos de proteção, o layout… (estudos de casos futuros? )

Me despeço, então, cheia de esperança assim como Paulo em Filipenses 1:6: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.”

É da região Minas Gerais? Deseja participar? Entre em contato com a secretaria de Comunicação e Literatura e mande sua arte para a gente!

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