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Pontos a enfatizar: oração e generosidade

Reflexões do secretário geral da Comunidade Internacional dos Estudantes Evangélicos, Daniel Bourdanné, por meio do informativo Conexión*

*Publicado originalmente no informativo IFES Conexión, na edição de maio de 2017. Confira aqui em espanhol e aqui em inglês.

Por Daniel Bourdanné, secretário geral da Comunidade Internacional dos Estudantes Evangélicos (IFES, na sigla em inglês), da qual a ABUB faz parte

Durante um tempo de descanso, Deus falou comigo. Ele me falou sobre generosidade e oração, sua importância e o quão difícil que é viver estes valores, especialmente em uma cultura que venera o êxito material e o individualismo. Me sinto comovido ao considerar o que significa para nós modelar um ministério de generosidade e oração.

Para algumas pessoas, como é o meu caso, é mais fácil dar do que receber. Eu tenho em mim uma tendência de devolver cada uma das ações de generosidade dos meus amigos. Se me convidam para comer, eu lhes digo: "Da próxima vez eu te convido". Não quero ser uma carga. Mas tenho entendido sobre como minha atitude é motivada por um desejo silencioso de não ser visto como necessitado ou dependente da generosidade de outras pessoas, e isto me impede de celebrar um presente e o amor de outras pessoas.

Podemos entender a generosidade como os ricos dando algo de sua riqueza aos pobres. Podemos dar para controlar e exercer poder sobre outras pessoas. Podemos dar para não nos sentirmos culpados. Vejo como é difícil que um rico aceite a hospitalidade de um pobre; os ricos dão, mas não estão abertos a receber dos pobres. Pode ser que alguns de nós (aqueles que são mais velhos, mais ricos, procedentes de movimentos nacionais mais estabelecidos, etc) pensemos apenas em termos de dar, e não aceitemos receber daqueles "mais pobres" do que nós como uma verdadeira expressão de generosidade bíblica.

Mas Deus tem falado a mim e estou percebendo uma vez mais que a generosidade é algo mais profundo e vai mais além do que o ato de dar. A generosidade é um ato de adoração ao Senhor e um presente nosso para os outros (2 Coríntios 8:5). Cada seguidor de Cristo, seja rico ou pobre, é chamado a ser generoso. A generosidade não é sobre doações unidirecionais, mas também sobre receber, o que é, em si mesmo, uma prova de nossa dependência espiritual.

É um privilégio para mim e minha família viver no Reino Unido com supermercados bem abastecidos, acesso fácil aos serviços de saúde e a relativa simplicidade em lidar com autoridades e burocracia. Damos graças a Deus pelas bênçãos aqui, mas sabemos que elas desafiam nossa espiritualidade. Na Costa do Marfim éramos conscientes da nossa vulnerabilidade. Aqui não há malária nem golpes de estado. Podemos consertar muitas coisas e a sociedade nos ensina a ser autossuficientes. Por isso, nos tornamos insensíveis à nossa necessidade de depender de Deus e de celebrar o amor dos outros.

Refletindo sobre a generosidade do "dar e receber", comecei a entender melhor a conexão entre generosidade e oração. Elas têm em comum a desafiante mensagem cristã da nossa dependência completa de Deus e dos outros. Agora entendo mais o valor de uma vida de oração que modela a confissão das nossas limitações e a dependência de nosso Pai celestial.

Que incentivo maravilhoso para mim ver que nossa história como IFES está enraizada na oração. Senti que Deus me falava sobre a nossa necessidade de renovar nosso compromisso. Deus continua me desafiando e ainda me custa entender a totalidade do que isso implica, em termos práticos, para a Comunidade. Continuo me fazendo as seguintes perguntas: - Como podemos ensinar, promover e cultivar a oração e a generosidade de maneira eficaz uns aos outros e aos nossos estudantes? Como podemos encorajar nossa comunidade a estar preparada para abrir seus braços diante Deus? Como podemos falar sobre morrer para nós mesmo e morrer para viver com Cristo de forma atraente quando a cultura que nos rodeia venera a perfeição e o sucesso?

Deus está me desafiando e espero que ele te desafie também através dessas perguntas. Oro para que possamos dedicar tempo para confessar nossas limitações e expressar nossa dependência de Deus para guiar-nos.

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