Uma volta pelo movimento

“Movimentômetro”

 “Eu te conjuro, diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua Aparição e por seu Reino: proclama a palavra, insiste, no tempo oportuno e no inoportuno...”.

(Paulo, em sua segunda e última carta a Timóteo; Bíblia de Jerusalém)

Recentemente participei de dois Conselhos Regionais (CR's), em duas regiões diferentes da ABUB. Esses encontros, que teoricamente enfocam aspectos administrativos e de planejamento, acabam sendo também oportunidades ímpares para uma observação mais próxima da dinâmica e do trabalho das nossas bases estudantis. São excelentes “termômetros” do nosso movimento.

Voltei de ambos os encontros com o coração cheio de gratidão, por presenciar o que Deus tem realizado através dos núcleos e grupos locais da ABUB. Em meio a conquistas, limitações e adversidades, esses estudantes se esforçam para cumprir a mesma missão entregue a Timóteo, por Paulo, no século I: proclamar a palavra de Deus, através de suas palavras e de suas ações.

Quando o experiente apóstolo escreve aquela que é considerada sua última carta, ele se encontra preso em Roma, provavelmente alguns dias antes de ser martirizado. Paulo sabe que seu ministério está chegando ao fim (2 Tm 4:6-8). E se preocupa com a preservação e comunicação do Evangelho  - a “boa notícia” que havia pautado boa parte de sua vida e pela qual havia lutado até aquele momento.


Timóteo, um jovem de saúde frágil e temperamento introvertido, havia permanecido em Éfeso por recomendação de Paulo. A situação por lá, embora nada comparável à terrível e solitária prisão do apóstolo, também exigia compromisso e fidelidade para com as Escrituras (1 Tm 1:8). Timóteo deveria assumir sua responsabilidade de comunicar o Evangelho e ensiná-lo por toda Éfeso e região. Isso, certamente, desencadearia uma série de aflições e sofrimentos (3:12), de tal modo que Paulo o conclama a suportar tudo isso e sofrer por esse Evangelho (2: 3,8,9). E se, ao enfrentrar essas situações adversas, Timóteo se sentisse tentado a “adaptar” sua mensagem, para que ela se tornasse mais “palatável” a seus ouvintes, o chamado de Paulo era para que ele resistisse e perseverasse nas verdades que havia aprendido desde sua infância (3: 14,15). Pois, antes de qualquer coisa, o que Timóteo deveria fazer é guardar o Evangelho (“sã doutrina”; “fé”) que havia recebido, como se fosse um valioso tesouro (1:14).

Voltemos àquele versículo citado no início do texto. Embora o verbo original traduzido por “proclama” remeta à ação de um “arauto em praça pública”, Paulo não tinha a intenção de “sacralizar” um determinado “método” evangelístico. Não, o que ele buscava era que Timóteo tornasse a “palavra” acessível a todos, sem temor. Além disso ele deveria “insistir”, literalmente “assistir”, e assim “estar de prontidão”, “estar disponível” a todos.  E isso “no tempo oportuno e no inoportuno”! Novamente é preciso esclarecer que Paulo não estava fornecendo uma “autorização” para a falta de tato com as pessoas; pois essa sua “regra de procedimento” se aplica não tanto aos ouvintes, mas principalmente a quem fala. Ou seja, tem a ver com a atitude (disponibilidade e prontidão) do “pregador”, não do ouvinte!

Como mencionei antes, foi muito bom e gratificante ouvir os relatos de estudantes, grupos locais e profissionais que têm se esforçado para guardar fielmente a essência do Evangelho e proclamá-lo com  sensibilidade e criatividade!

Desde os tradicionais núcleos de estudo bíblico e recepções aos calouros/bixos (com seus divertidos “manuais de sobrevivência”), passando pelos acampamentos evangelísticos e “vídeo-debates”, até os inovadores “EBIs on-line”, percebemos um desejo de viver e proclamar as “sagradas Letras” que “têm o poder de comunicar a sabedoria que conduz à salvação  pela fé em Cristo Jesus” (2 Tm 3:15).

Que o Espírito Santo nos mantenha assim em movimento!
   
Caloroso abraço!

Reinaldo Percinoto Junior
Secretário Geral da ABUB