Entre nós

Diaconia na ABUB

"Trabalho missionário é levar aos outros as boas novas da salvação que transformaram nossas vidas. É um trabalho entre índios, pequenas cidades e vilas perdidas no interior do país e esquecidas dos homens, fora do Brasil, em outros países carentes do Evangelho. Também é levar Cristo para as pessoas que estão muito próximas de nós, em nossa casa, escola, trabalho, vizinhança”.

O trecho do informativo Alcance, edição de maio e junho de 1977, retrata um tempo em que várias iniciativas missionárias de estudantes e profissionais surgiram após o 1º Congresso Missionário da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (CM), realizado em  janeiro de 1976, na cidade de Curitiba (PR).

"Todos estes projetos  (Projeto Corumbá, Projeto Funil, Jornal Kairós, Corpo de Psicólogos Cristãos,  Projeto Koinonia, Encontros de Criação Literária, Hospital Maranata), e outros que surgiram em meio à ABU evidenciam que, mais que nunca, é tempo de trabalho missionário. Muitas dessas experiências são frutos diretos do Congresso Missionário. Outras são anteriores a janeiro de 1976” (Alcance - edição de 1977).

O Congresso Missionário de 76, com o tema "Jesus Cristo: Senhorio, Propósito, Missão",  reuniu mais de 600 estudantes, profissionais e pastores. "A comunicação se estabeleceu entre Deus e os corações que se dispuseram a ouvir e obedecê-lo" (Alcance - edição de 1976). Os relatos descrevem um despertamento empolgante. Jovens sentiram uma profunda sede pela justiça e por viver intensamente o Reino de Deus ainda nesta terra.

Assim, o avivamento ocorrido no Congresso de Curitiba ganhou um papel central no desenvolvimento dos projetos de diaconia da ABUB. Um dos marcos  foi o "Pacto de Curitiba", organizado em 17 tópicos que resumiram propostas e objetivos de atuação missionária.

Equipe para "encorajar e incentivar" - Pouco tempo depois da realização do CM foi estruturada a Assessoria a Projetos Missionários (APROM). Seu objetivo foi o de prestar assessoria aos novos projetos de diaconia que estavam surgindo. Por cinco anos a APROM contou  com financiamento integral da Visão Mundial e era composta por quatro assessores (Paul e Yolanda Freston, Rubens Osório e Jadyr Braga). Algum tempo depois a APROM passou a se chamar Secretaria de Diaconia da ABUB. A equipe produziu diversos materiais de apoio a estas iniciativas, como Base Bíblica para Ação Social, Planejamento de Projetos, Trabalho com Comunidade, dentre outros.

"Alguns projetos já haviam começado entre os grupos da ABU e da ABP. Alguns eram contínuos, outros pontuais, em época de férias. O trabalho da nossa equipe era o de encorajar e ajudar os projetos existentes e incentivar a criação de outros projetos por parte de outros grupos da ABU e ABP", relata o sociólogo Paul Freston, ex-integrante da APROM.

Tão logo formada a APROM, é lançado o Caminhos, informativo de oportunidades missionárias para estudantes e profissionais cristãos. Em uma edição de 1979, Caminhos traz 12  projetos missionários da ABUB e 10 oportunidades de atuação em outras missões. Por exemplo, passar o mês de férias na Ilha do Bananal - com ensino de música e jogos educativos para índios Karajás e viagem com o barco da Sociedade Bíblica do Brasil, equipado com instrumentos médicos, para atender a população ribeirinha no Rio Amazonas. 

Alicerce: teologia do servir - Embora o Congresso Missionário de Curitiba tenha sido um marco para o desenvolvimento da diaconia no ministério da ABUB, a teologia do servir chegou ao Brasil junto com os primeiros missionários da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (ou IFES, sigla em inglês).

Em documentos históricos, há um panfleto de 1959 em que o professor da Universidade de Zurique (Suiça), Hans Burki, convidado pela ABUB, ministrou palestras em várias universidades brasileiras, discutindo assuntos como "Educação como investimento de capital de uma nação". Nesta mesma época, há fotos que revelam um projeto da ABU em uma favela de São Paulo.

De 1976 a 2006: projetos e ações


O Projeto Castelão
foi uma das maiores referências do trabalho de diaconia da ABUB. Nascido em 1976 na cidade de Fortaleza (CE), pertenceu à ABUB até 2004 quando sua direção foi passada à ONG Projeto Social Semente, da Igreja de Cristo na Aldeota.  Sob coordenação da ABUB, o projeto  manteve uma escola e uma creche (com alfabetização de crianças e adultos, espaço multidisciplinar, biblioteca, projeto de leitura, apoio escolar e também aconselhamento cristão).

"Começamos em um galinheiro. Tivemos que limpar e pintar.  As crianças não aprendiam por falta de alimentação. Faltava tudo, inclusive luz. Incluímos a alimentação e o aprendizado melhorou. Quando nos pediram o terreno tivemos que pedir empréstimos! Fechamos a compra de uma casinha sem qualquer dinheiro em conta. Fizemos pela fé porque as crianças não podiam ir para a rua. Acho que, além das pessoas atendidas, participantes como eu foram os mais abençoados. Ali pudemos ver a realidade brasileira e sair do nosso isolacionismo cego e doente. Deus nos formou e nos fortaleceu na luta pela justiça", descreve José Miranda Filho, um dos pioneiros no Projeto Castelão.

"O Castelão foi uma benção para nós, de Fortaleza, que estávamos diretamente envolvidos, bem como foi uma benção para os abuenses distantes de Fortaleza, através do modelo do exercício da mordomia cristã", relata Everton Cordeiro,  líder da ABP Fortaleza e presidente do Projeto Castelão na década de 90 e atualmente voluntário.

Como muitos abeuenses deixaram de apoiar com trabalho voluntário e doações, hoje o Projeto enfrenta dificuldades em se manter. "Funcionamos em um espaço alugado no bairro, pois tivemos que vender o prédio. Este local está muito abaixo do que tínhamos anteriormente. Temos menos funcionários e menos recursos financeiros, mas mantivemos o número de crianças (mais de 400)", completa Cordeiro.

Se você quiser conhecer mais e contribuir, acesse o site da Prossica: http://projetoprossica.blogspot.com/

A Rede Fale
é uma rede de defesa de direitos que atua com cartões Ore e Envie, manifestações públicas, atividades de formação e participação no Conselho Nacional de Juventude.

"O Fale teve início a partir de atividades de grupos de ABU durante o Congresso da União Nacional de Estudantes (no final da década de 90 - em Goiânia e depois em Belo Horizonte), com a promoção de palestras, celebrações e manifestações", explica o sociólogo e coordenador geral da Rede Fale, Alexandre Brasil.

Por ocasião da conferência missionária de Urbana (realizada pelo movimento estudantil americano) em dezembro de 2000, integrantes da ABU conheceram participantes da rede “Speak” (que foi criada por integrantes do movimento estudantil inglês). Percebendo a criatividade da ideia estes abeuenses começaram a formar um movimento brasileiro semelhante, centralizado na reflexão sobre temas latino-americanos.

Os primeiros cartões foram criados e publicados nos anos de 2001 e 2002.  Até este ano foram lançadas 17 campanhas diferentes.

Conheça mais e participe da Rede Fale: www.fale.org.br


Missão 2006
- Após exatos 30 anos do Congresso Missionário de Curitiba, Viçosa (MG) recebeu em janeiro de 2006 o congresso "Missão 2006:Esperança Viva em Jesus".  Participaram mais de mil estudantes e profissionais de todo o Brasil. A programação foi intensa com seminários, oficinas, conferências de temáticas diversas, além de apresentações artísticas.

"Aprendi muito e cresci muito! Muitos conceitos mudaram! Muitas ideias novas. Uma vida inteira na mão de Deus! 'Eis me aqui, eu irei Senhor'", citação da estudante Jessica Craveiro, na primeira edição de Respondendo ao Chamado.

Giovanna Amaral, secretária de comunicação da ABUB

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