Entre nós

Amizade que dá força, fé que sustenta

Por Nilsa de Oliveira, secretária de formação

Esse é o lema do grupo da Aliança Bíblica Universitária (ABU) Seropédica (RJ) e o guardo no coração com muito carinho. Estudei na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ, conhecida como Rural) de 2000 a 2005. Em 2001 comecei a participar da ABU. Durante os quatro anos e meio de graduação, vivi pelo menos cinco greves. Em uma delas, que foi bem longa, eu e alguns amigos da ABU resolvemos fazer alguma coisa.

O restaurante universitário (popularmente chamado de bandejão) não abria durante a greve. Deixavam em uma mesa, na pracinha, sacos com pães e galões de leite para que os estudantes pegassem pela manhã. Em algumas ocasiões os cachorros pegaram os sacos e rasgaram tudo. Aquilo começou a nos incomodar. “Esse pão e esse leite é para todos nós, por que não cuidamos disso?” Nos organizamos, procuramos o decanato de assuntos estudantis e nos colocamos à disposição para receber e entregar o pão e o leite. Mas percebemos que muitos não iam buscar. Resolvemos ligar para todos os quartos, em todos os alojamentos. Logo começaram a aparecer e vimos que tinha mais gente sem poder ir para casa do que imaginávamos. Conhecemos estudantes que só comiam o que a universidade dava. “Então, por que não damos um jeito de melhorar esse café da manhã?”

Não demorou e a gente conseguiu que o bandejão abrisse a sua cozinha, com funcionários terceirizados nos ajudando. E assim começamos a servir o café da manhã com pão, biscoitos, fruta, café, leite e achocolatado bem quentinhos. Fizemos isso até o fim da greve. Ouvimos muita palavra de gratidão, de carinho, de encorajamento. Mas também ouvimos muitas perguntas do tipo: “Quem são vocês?”, “Por que estão fazendo isso?”, “O que estão ganhando com essa atitude?”. Respondíamos: “Somos estudantes, como vocês, e queremos o melhor para todos” ou “Estamos aqui para servir vocês, amamos os estudantes e amamos essa universidade”.

Fizemos muitas atividades durante as outras greves, mas essa foi muito especial. Fomos arrebatados por uma onda de generosidade e amor, que começou com uma situação que nos incomodava. Acredito que incomodava mais gente, mas não podíamos apenas fazer parte da turma dos insatisfeitos, então fomos lá e fizemos algo. Alcançamos o coração de muita gente que lembra desse período até hoje com carinho. O café quentinho e o pão com manteiga aqueceu e preencheu a vida de muitos estudantes, inclusive a minha. Nunca mais esqueci do poder que o amor tem de alcançar alguém através de atitudes simples. Esse é o nosso papel, é o amor que deve nos mover em direção ao outro.

Pensar nessa experiência tão impactante me faz lembrar dos milagres da multiplicação dos pães e peixes feitos por Jesus, duas maravilhosas manifestações do caráter generoso de Deus com o objetivo de saciar as necessidades do povo e ensinar aos discípulos sobre serviço, amor incondicional e fé.  Compartilhar o alimento com o outro não é só um ato de generosidade, aprendemos que é também um ato de esperança, de evangelismo, pois não queríamos oferecer apenas o pão que sacia a fome do corpo, mas éramos desejosos de oferecer o pão da vida, aquele que alimenta a alma.

Vale a pena alcançar

“Ali eu já estava com esperança, eu estava sentindo que era ali que eu ia encontrar a solução pra minha vida. E eles me chamaram pra ir no Conselho Regional (...). Lá foi quando eu ouvi o evangelho (...) quem pregou primeiro foi o Josué. Vieram milhares de coisas na minha cabeça, milhares de pensamentos, e a galera super me ajudou. Eu sentava na hora do almoço, conversava e perguntava várias dúvidas. A galera respondia, não titubeava. Acho que era realmente o Espírito Santo agindo (...)”.

As palavras de Raíra, que se converteu na ABU Pirassununga (SP), quando era estudante (e que você pode ler na entrevista aqui), enchem meu coração de alegria, gratidão e ânimo, porque mesmo que a gente não tome conhecimento de tantas experiências como a dela, estudantes continuam sendo alcançados por meio do Evangelho, que tem o poder de resgatar e transformar vidas. O Espírito de Deus está à procura de homens e mulheres, que, por amor, tenham o desejo de comprometer-se verdadeiramente com ele.

Portanto, se algo lhe inquieta, não se deixe paralisar pelos desafios, corra atrás, pois não sabemos o que pode ser colhido lá na frente. Não sabemos o real impacto que o seu grupo causa nas pessoas que frequentam ou quantas pessoas são impactadas pelo evangelho. Não sabemos quantas pessoas, imersas na dor de injustiças, são acolhidas pela graça, consoladas e ganham voz. Mas sabemos que o acolhimento e o amor podem salvar vidas. Dificilmente vemos “grandes resultados” nas ações de evangelismo ou durante a entrega de água para um candidato no ENEM (link). Não temos essas respostas e, sinceramente, não precisamos delas para cumprirmos nosso chamado e alcançarmos nossos colegas.

A ABUB tem mais de 60 anos de história e sempre esteve repleta de pessoas conscientes de seu chamado. Somos chamados a ser povo de Deus para atuar no mundo em serviço do amor, da paz, da justiça, pregando o arrependimento, a salvação, a reconciliação, e anunciando a esperança viva que há em Jesus.

E então, vamos fazer alguma coisa?

 

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