Entre nós

A história do E-B-I

Antônia Leonora Van der Meer, ou "Tonica" como é conhecida, é a autora do livro "O Estudo Bíblico Indutivo (EBI)", publicado pela ABU Editora. Na ABUB, o EBI é o método mais utilizado para o estudo da Bíblia, servindo como instrumento de evangelismo e edificação dos grupos em todo o Brasil. Hoje, todo mundo que passa pelos treinamentos da ABU "precisa" aprender a fazer o tal EBI e ler o livro da Tonica.

Tamanha é a influência do EBI no estudo da Bíblia para nós, que conversamos com a Tonica sobre como tudo começou e quais conselhos ela deixa para a atual geração de abeuenses.

Na ABUB Tonica foi estudante pioneira na década de 70 e posteriormente obreira, servindo também no Escritório Nacional. De 1984 a 1995 foi enviada ao movimento estudantil na Angola, como missionária da CIEE.

Tonica é graduada em Letras, com Mestrado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo e Doutorado em Missiologia pela Asia Graduate School of Theology, Filipinas. Atualmente é coordenadora do Centro Evangélico de Missões e autora de livros evangélicos, como "Eu? Um missionário?".

Conte-nos a história do EBI. Como este método de estudo “nasceu” ou chegou até a ABU?
Esse método faz parte da prática histórica na Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE ou IFES, sigla em inglês). Quando entrei na ABU comecei a fazer os estudos (ainda não tinha livros em português), com temor e tremor, aprendendo muito no caminho.
Uma das grandes autoridades Internacionais foi a Ada Lum (assessora internacional chinesa, do Havaí). Ela esteve no Brasil (acho que foi no Congresso Nacional em 1978) e nos ensinou muito mais, e quando eu já conseguia ler inglês eu aproveitava os livros que existiam naquela língua.

Como foram os primeiros anos “dos estudos bíblicos indutivos”?
Eu e outros íamos escrevendo nossos próprios estudos e usando na universidade e nos grupos base. Eu comecei em Curitiba, nos anos 1970 (depois do Curso de Férias onde tive minha experiência pessoal do amor de Deus). Depois me mudei para Brasília, ainda como estudante, entendendo que Deus me chamava para ajudar a começar grupos na região do Planalto Central. Já havia um começo, com pessoas comprometidas, mas sem muita noção de como trabalhar. Lembro-me que quando falei que estudantes podiam dirigir estudos bíblicos recebi uma forte crítica de várias pessoas: "Certamente não, quem deve ser convidado para falar tem que ser pessoas treinadas para isso, como pastores". Até aquele momento só havia grupo base, nada na universidade. Começamos então a organizar grupos nas universidades, pouco a pouco.

Como foi o processo de redação e edição do livro de EBI?
Isso foi engraçado. Eu já havia dirigido oficina de EBI em vários Cursos de Férias no Brasil. Aí pediram para eu preparar uma apostila para usar no Capacitación - treinamento da América Latina. Fiz com o máximo cuidado. Depois, enquanto eu estava na Inglaterra fazendo meu curso de missões transculturais a ABU Editora resolveu publicar minha apostila como livro. Só fiquei sabendo quando estava pronto. Parte da apostila era tradução de um livro de Ada Lum. Por isto pedi perdão a ela e expliquei o que aconteceu.  Ela entendeu e não ficou aborrecida.

Por que você acha que o EBI até hoje é tão marcante para os estudantes da ABU?
Porque os estudantes não gostam de que alguém pregue a verdade para eles. Querem ter a liberdade para questionar e debater. E é isto que o EBI promove. Assim eles mesmos descobrem a verdade, e isto dá muita alegria.

Muitas pessoas afirmam ter dificuldade em entender a Bíblia. Quais conselhos você daria?
Eu recebi um conselho útil quando no começo de minha caminhada fui conversar com um preletor, apresentando minhas dúvidas e dificuldades. Ele sugeriu: Leia a Bíblia toda três vezes, meditando, pedindo que Deus lhe fale. Depois você volta com as perguntas. Percebi que a própria Bíblia respondia minhas perguntas. Pode ser útil ler a Bíblia numa linguagem mais acessível (NVI ou na Linguagem de Hoje).

Qual é o "maior impacto" que a Bíblia pode causar na vida de um universitário?

Quanto mais estudarmos a Bíblia, mais ela se torna uma fonte de sabedoria e direção para nossas vidas. Lembro-me que no primeiro ano em que estava em Brasília, havia muitos questionamentos, e muitas vezes me sentia totalmente incompetente para respondê-las. Mas busquei ajuda de Deus e me lembrei do texto de 1 Coríntios 1:26-28 e 2:1-5 - e percebi que podia depender da sabedoria de Deus e que Ele podia me usar apesar de minhas limitações e fraqueza; senti nova confiança, busquei crescer no conhecimento e sempre buscar em Deus a sabedoria para responder aos questionamentos.

Deixe um encorajamento para os estudantes sobre o estudo da Bíblia.

É muito bom a gente estudar a Bíblia, tanto para si mesmo, e também para compartilhá-la com outros. Quanto mais a gente estuda e medita, mais descobre a riqueza dessa palavra e como ela se aplica a nossa vida hoje. E percebe também que não cristãos conseguem entender a Bíblia quando a apresentamos com simplicidade e entusiasmo. É o Espírito Santo que está trabalhando em você e na pessoa que ouve.

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