Entre nós

Estágio em assessoria

Ao longo de mais de cinquenta anos, o ministério estudantil tem sido abençoado ricamente por Deus! Em todo o Brasil, o Senhor tem levantado jovens líderes que se assumem missonários, e que buscam viver integralmente o evangelho em suas diferentes áreas de atuação. Muitas vezes, estes jovens estudantes iniciam trabalhos pioneiros ou são responsáveis pela liderança de grupos do tamanho de igrejas de pequeno ou médio porte.

Aline Cavalcanti e Lia do Valle são exemplos destes jovens, que se comprometem com o Reino de Deus de forma intensa.  Envolvidas, enquanto estudantes, em seus grupos locais e em suas regiões, elas resolveram se arriscar em um projeto especial, inusitado para a atual geração da ABUB: "Estágio em assessoria - discipulado e treinamento num contexto estudantil". Por todo este ano de 2010, Aline e Lia estão morando em Bauru (SP) e recebem orientação do obreiro Philip Rout.

O estágio - Quem trouxe este formato de estágio para o Brasil foi o assessor da região SP/MS, Phil, inspirado em um programa da UCCF (ABU da Inglaterra) com recém-graduados. O acompanhamento e a preparação de possíveis futuros obreiros são os pontos principais do estágio. Para o próximo ano as inscrições já estão abertas e ocorrem até o dia 29 de setembro. O estágio compreende um ano de treinamento e acompanhamento no contexto de um grupo local no interior de São Paulo, com a orientação do obreiro Phil.

"Em 2001 eu era líder do grupo de ABU em Manchester. Ficamos sabendo que a Kay, nova obreira da UCCF, chegaria no início daquele ano letivo. Eu achava que a gente não precisava dela. Nosso grupo ‘estava indo bem’. Mas isso era um engano! Através da Kay, e dos encontros de treinamento que ela nos encorajou a participar, eu aprendi muito. Ouvi Deus falando comigo por meio das Escrituras. Foi a Kay que me deu o comentário de John Stott sobre 2º  Timóteo, o que mudou radicalmente a direção da minha vida. Nosso grupo começou a se dedicar ao evangelismo e discipulado como nunca antes, e por causa disso pessoas conheceram a Jesus.

Só que, apenas por receber o título de ‘assessor’, uma pessoa não se torna uma Kay. Kay fez a diferença porque ela foi uma discípula fiel que sabia como formar outros discípulos. E na sua graça, Deus já presenteou a ABU com várias pessoas excelentes como ela ao longo dos anos. Mas infelizmente (ou felizmente!) Deus não nos deu uma máquina de produzir discípulos, nem discipuladores. Um investimento alto tem que ser feito ao longo de bastante tempo.

O programa de estágio visa criar um ambiente onde um cristão recém-graduado pode dedicar, de forma especial, um ano da sua vida à formação como discípulo de Jesus e, ao mesmo tempo, contribuindo para a formação de discípulos em um grupo local de ABU. Esta formação busca abranger todas as áreas da vida, desde o manejar da Bíblia até a mordomia do tempo", nos conta o obreiro Phil Rout.

Leia a entrevista de Aline e Lia. Elas nos contam um pouco do que têm vivido neste ano, enquanto assessoras estagiárias:

- Por que vocês se inscreveram no programa de estágio em assessoria?

Lia: Porque sempre quis trabalhar em tempo integral em algum campo missionário e o estágio em assessoria abriu as portas para que este sonho se realizasse em minha vida. E o mais importante, este programa tinha como objetivo me treinar para um campo missionário específico, que era o campo onde eu estava mais envolvida na época, estudantes universitários.
Aline: Inscrevi-me porque vi no programa de estágio a oportunidade de trabalhar integralmente com missões e também de trabalhar com a ABUB. Mas sei que meu maior incentivo foi saber que Deus estava me chamando para isso!

- Como foi este processo de mudança de cidade, área de trabalho, rotinas?

Lia: Foi e está sendo um processo de adaptação preparado com muito cuidado por Deus. Minha rotina mudou totalmente e é muito diferente da que eu vivia em minha cidade. Estou aprendendo a estudar de novo, de uma forma que ainda não havia experimentado.
Nunca havia saido da minha cidade natal (Guaxupé - MG) e nem ficado longe da minha família. Lidar com outra cultura e me adaptar ao distanciamento da família e amigos têm sido um processo de aprender a confiar em Deus, e saber que Ele supre, com outras pessoas e irmãos em Cristo, a lacuna que fica em nós.
Aline:  Mudar de cidade não foi ruim, pois a meu ver Bauru é uma cidade muito boa de se morar. Estava trabalhando no serviço público de Campinas e, no dia em que assinei o contrato de aluguel aqui em Bauru, fui chamada num outro concurso, em uma oportunidade excelente de trabalho. Foi um momento difícil, mas sabia que o Senhor ia me abençoar aqui! Estou gostando muito!


- Como é a rotina semanal de vocês?

Lia: A rotina é de leitura (livros como Ouça o Espírito Ouça o Mundo, A Luta, Estudando as Doutrinas da Bíblia e Evangelismo Natural). Agora vou iniciar um estudo sobre o livro de Isaías, além de continuar lendo os livros do estágio, cujo o próximo é A Cruz de Cristo. Também faço semanalmente uma visita ao grupo de Marília (SP), além de preparar oficinas, seminários, e outros materiais para a capacitação dos estudantes. 
Aline:
Nosso trabalho tem duas frentes - estudos e trabalho com estudantes. Temos um plano de estudos pré-estabelecido, que nos ajuda a pensar melhor as questões teológicas essenciais (trindade, natureza da Palavra de Deus, natureza de Deus em Jesus, a natureza de Deus no Espírito Santo, a natureza de Deus no juízo e resgate futuros) e também a parte prática com os estudantes, através de estudos bíblicos individuais. Eu acompanho o grupo de Bauru (SP). Há também nossas reuniões com o Phil e com a Carol (sua esposa), onde estudamos a Bíblia e somos supervisionadas.

- Como tem sido o contato com os grupos locais?

Lia: O grupo de Marília tem perseverado muito para continuar o trabalho da ABU e eles me receberam muito bem. Como moro em Bauru, sempre durmo na casa de algumas estudantes lá em Marília, e tem sido uma experiência muito boa, um tempo de conversar, compartilhar, orar, se divertir e comer. No primeiro semestre acompanhei o trabalho de oração e estudo bíblico indutivo que eles fazer por lá.  Também os incentivei no trabalho estudantil e a participarem dos encontros regionais e nacionais. Para o segundo semestre temos o Conselho Regional (CR) para organizar, treinamento em Bauru, renovação de liderança e o desejo de realizar alguns estudos bíblicos e oficinas.
Aline: O desafio para o primeiro semestre foi o de me fazer conhecida no grupo de Bauru, e isso aconteceu. Pude desenvolver alguns estudos com estudantes e também com o grupo base. Além disto, visitei outros núcleos e ajudei em treinamentos.

- Qual tem sido o maior aprendizado?

Lia: A graça de Cristo tem sido o meu maior aprendizado. Neste tempo em que estou no estágio, Deus tem trabalhado muito em mim sobre a graça dEle para comigo. Tenho compreendido melhor o seu amor, o seu cuidado para comigo ao ver o quanto sou falha, fraca, pecadora e não apta para realizar a obra que Ele tem reservado para mim. Mesmo com tudo isso, Ele sempre me chama a realizar a sua obra. Deus sempre me desafia e me encoraja a continuar firme nesse caminho sabendo que é Ele quem realiza tanto o querer quanto o realizar (Fl 2:13).
Aline: O maior aprendizado está na área de estudos bíblicos! Estudar a Bíblia individualmente, com uma pessoa ou em um grupo tem sido maravilhoso! Certamente não é algo fácil, tem exigido muito de mim, mas cada vez mais, sinto maior prazer em me dedicar a isso! 

- O que vocês sonham para os próximos anos?

Lia: Penso em continuar respondendo ao chamado de Deus em algum campo missionário, em tempo integral. Creio que o tempo agora é com a ABUB, e para o próximo ano penso em continuar trabalhando com essa Missão. Mas Deus cuidará dos próximos anos, e o meu desejo é fazer a vontade de Deus, seja na ABUB ou em outra frente missionária.
Aline: Gostaria muito de ter o privilégio de continuar no trabalho com a ABUB, melhorando em dedicação e estratégias, em sabedoria e em discernimento. Mas meu maior anseio mesmo é fazer a vontade de Deus, seja com o presente trabalho ou com qualquer outro ao qual Ele me encaminhar.

(Foto, da esquerda para a direita, Aline, Lia, Carol e Phil Rout).

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