Entre nós

De Volta para o Futuro: a carta desta geração aos 60 anos da ABUB

Lida durante o encontro de 60 anos, a carta abaixo foi composta pelos diretores adjuntos da Aliança Bíblica Universitária (ABU), Arianne* e Matheus*, pela diretora adjunta da Aliança Bíblica de Secundaristas (ABS), Débora*, e pelo diretor de relações públicas e participante da Aliança Bíblica de Profissionais (ABP), Daniel*. Juntos, os quatro representam todos os espaços da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABUB) e escreveram seus sonhos para os anos vindouros do movimento missionário.

Depois de olhar para o passado e encarar os desafios, como a necessidade de estarmos atentos e obedientes à vontade de Deus, respondendo o seu chamado, os autores da carta nos convidam a sonhar. Eles anseiam que cada universidade e cada escola tenha um grupo de estudo bíblico, sonham com profissionais engajados. Para os abeuenses, os atores sonham que esses possam tornar-se uma comunidade de amigos que encarna a igreja de Cristo. Já para os abessenses, eles esperam que a profundidade da missão seja compreendida. Por fim, também sonham com a ABP definida, organizada e estruturada.

Por Arianne, Matheus, Débora e Daniel*

Alegrem-se, pois são muitos os motivos de celebração ao longo desses 60 anos! É um desafio falar da longa história que compõe a ABUB. As dificuldades, lutas, provas, alegrias, boas amizades, novidades e atenção ao chamado de Deus deram origem ao que conhecemos por Aliança Bíblica Universitária do Brasil. Esse movimento estudantil continua sendo um meio, abençoado por um Deus supremo, de transformação das vidas que por ele passam. E, por isso, agradecemos por esses 60 anos de história, trabalho e grande cuidado!

A história da ABUB foi tecida por muitas mãos e nossa caminhada está repleta de pessoas que dedicaram suas vidas à missão estudantil, sendo obedientes ao chamado que lhes foi feito. Uma coisa que aprendemos ao longo desses 60 anos, é que não podemos prever o alcance do trabalho de pessoas, ainda que poucas, dispostas a servir em fidelidade e amor a Deus. Ele é o Senhor da missão!

Historicamente, a Aliança Bíblica Universitária do Brasil é um celeiro de missionários chamados a servir onde quer que estejam, seja nas universidades, escolas ou ambientes profissionais. Contudo, por vezes a resposta ao chamado do Senhor nos direciona a diversos rumos, desde comunidades próximas até outros países. Quando estamos em pequenos grupos de estudo bíblico com nossos colegas, não temos ideia de onde o Senhor pode nos levar. O nosso desafio é estarmos atentos e obedientes à vontade de Deus, tendo os ouvidos sensíveis ao seu chamado.

Outra marca bastante expressiva da ABUB tem sido suas parcerias com outras organizações. Parceiros como Rede Fale, Ultimato, NKSS, A Rocha, Tearfund, dentre muitos outros, refletem a abertura do movimento para cooperar e aprender com o próximo. Essa atitude dá a cada abeuense a oportunidade de se engajar e contribuir por diversos meios para o Reino de Deus em suas múltiplas faces, conforme as necessidades da sociedade.

Como não falar do Congresso Missionário de 1976 em Curitiba (PR)? Ali estava sendo formada uma juventude cristã comprometida com o evangelho e sua mensagem. O Senhor usou aquele momento para impactar muitas pessoas que, naquela ocasião, passaram a compreender um pouco mais da missão. E os resultados: dali surgiram obreiras e obreiros, missionários, pastores, associações de profissionais cristãos, pessoas que entenderam seu chamado nas artes, nas ciências, na sociedade. Muitas são as iniciativas e pessoas que ainda hoje servem de referenciais para a nossa geração. A todos vocês, que não resistiram ao chamado, mas que foram e seguem sendo este exemplo de perseverança, amor e obediência ao Senhor: muito obrigado!

Um pouco mais recente, tivemos o Congresso Missionário de 2006 - o Missão 2006 - que certamente foi um marco muito significativo para nosso movimento. E a pergunta que se fazia após o evento era “o Missão 2006 acabou ou está só começando?”. E isso ecoou com uma força incrível em nossa caminhada! Um Congresso Missionário com quase mil pessoas, estudantes e profissionais, com o sentimento de responder ao chamado. Uma ideia que surgiu logo após era de “quem sabe daqui alguns anos possamos dizer que valeu a pena todo esforço”. Hoje, com tanta gente nova no movimento, podemos falar com segurança para aqueles que se empenharam tanto para a realização do Missão 2006: valeu muito a pena! No Senhor, valeu a pena! E a missão continua!

Atualmente a ABUB congrega uma quantidade muito grande de grupos filiados ativos, inativos e não filiados ativos. Dentre os filiados, somos cerca de 133 grupos: 19 de secundaristas, 107 de universitários e 7 de profissionais, espalhados em 110 cidades brasileiras (dados de 2016). Contamos com o amor e o serviço de cerca de 20 obreiros - em tempo parcial ou integral - e mais de 45 assessores auxiliares servindo ao nosso ministério em todas as suas sete regiões, no Escritório Nacional e na Secretaria Executiva.

Assumimos nossas Bases de Fé como missão evangélica e a partir daí congregamos cristãos das mais diversas denominações, abrangendo muita gente que pensa a fé de forma bastante diferente, mas que se propõe a pensar, a dialogar e a escutar as perspectivas diferentes - prática esta que esperamos sempre ocorrer.

Várias coisas do que temos atualmente em nosso movimento fizeram parte de sonhos de muitos estudantes e profissionais que passaram ou que ainda estão na ABUB. Sonhos direcionados pelo Senhor e que nortearam a caminhada, que nos deram forças para prosseguir em meio às dificuldades e lutas.

É bonito ver o crescimento da ABUB! A cada grupo novo e novos estudantes que se comprometem com a missão, o evangelho consegue ir um pouco mais além. Contudo, todo crescimento exige ajustes e é por isso que sonhamos com uma estrutura que forneça todo sustento necessário ao nosso desenvolvimento.

Nosso desejo é que cada universidade e escola desse país tenha grupos de estudo bíblico em funcionamento e que os profissionais estejam cada vez mais engajados com o movimento, contribuindo ativamente com a missão estudantil. Que cada grupo local tenha pelo menos um assessor auxiliar; que nossos obreiros regionais e da secretaria executiva sejam muitos e suficientes para cumprir plenamente as demandas que surgem e que todos eles consigam arrecadar seu sustento com êxito e tranquilidade, em virtude da generosidade e fidelidade das doações de grupos locais, ex-abeuenses e igrejas.

Sonhamos com um escritório nacional bem equipado e com uma ótima infraestrutura, na qual os irmãos e irmãs que lá exercem seu ministério desfrutem de excelente condições de trabalho, livres de qualquer sobrecarga. Ansiamos pelo dia em que todos os envolvidos na missão estudantil, do estudante aos obreiros, possam desfrutar de plena saúde mental e física, sendo animados, dia a dia, pela graça revigorante do Senhor e que da grande seara brote tantos trabalhadores que a dificuldade maior será gerenciar tantos trabalhadores.

E para os próximos 60 anos de nossos universitários? Esperamos que a ABU seja um espaço de convívio sim, de amizade. Que nosso senso de comunidade siga forte e crescente. Que sejamos suportes uns aos outros para as alegrias e tristezas do cotidiano, para as conversas sem compromisso e também para aquelas sérias e até íntimas. Que sejamos zelosos, também, com nosso compromisso missionário, pastoral, eclesiástico. Sim, somos igreja – não como organização, mas como vocação, missão e ministério. Que todas e todos os abeuenses tenham um senso de pertencimento não a qualquer comunidade apenas, ou a uma gostosa rodinha de amigos com os quais apenas nos divertimos e relacionamos.

Porém, que a percepção de que somos igreja nunca se enfraqueça: igreja que ora, que sofre, que convida a ler e a viver a Bíblia, que compartilha dor, que luta contra e confessa o pecado – não apenas os dos outros, aquela confissão conveniente só das redes sociais, mas a confissão do pecado que é meu, que é nosso -. Igreja que tanto abre espaço para a correção do irmão, quanto é paciente, corajosa e amorosa na correção. Igreja que chora com os que choram, que se alegra com os que se alegram. Que nossas discussões sejam em torno do evangelho e para a glória do Senhor, para crescimento saudável de sua igreja, e para exercício de graça e misericórdia.

E que a universidade seja sempre um espaço de convívio fraterno, no qual as diferenças apareçam como meio de crescimento do conhecimento. Que tornemos o conhecimento não apenas um texto a enfeitar nossos currículos, mas um meio de agregar as pessoas, de servir os menos favorecidos, de proclamar o Reino de Deus. Desejamos profundamente que a justiça seja uma pauta de luta, e que o Santo Espírito sempre dirija essa e todas as nossas buscas. E que quaisquer interesses, grupos ou ideias em desacordo com o evangelho e sua verdade, por mais belas que sejam, não tomem o espaço do Reino de Deus e da sua justiça. Que andemos em humildade e simplicidade para, com pouco, sermos gratos ao Senhor da provisão, e com muito, sermos servos do Senhor da missão.

Além de todos esses sonhos compartilhados, podemos afirmar que desejamos à ABS, um futuro cheio de novos desafios, em que cada secundarista realmente compreenda a profundidade da nossa missão, de forma que estejam dispostos a colocar a vontade de Deus acima de qualquer coisa. Esperamos que este ministério seja cada vez mais estruturado, com mais assessores, mais obreiros, mais coordenadores, de maneira que a ABS tenha mais suporte e mais incentivo no cumprimento do nosso chamado como cristãos. Também almejamos que a busca pela humildade e pela fé estejam seladas em nossos corações, pois com ambas seremos capazes de terminar a corrida e completar o que o Senhor nos ordenou: pregar o evangelho a toda criatura!

Ao longo da caminhada no movimento, várias tentativas de estruturação do movimento de profissionais aconteceram. Como foi reconhecida em um encontro de assessores auxiliares em 2007, definir a função que ABP deve desempenhar e delimitar seu espaço de atuação não é uma tarefa fácil. Nosso caminho como profissionais historicamente foi cheio de “idas e vindas”. Sempre foram várias perguntas que os próprios profissionais se faziam para entender qual nossa identidade dentro desse movimento. E continua não sendo fácil. Vários e vários sonhos foram sendo incluídos para esses profissionais. Muitos sonhamos até hoje! E é com gratidão que hoje vemos como Deus tem cuidado da ABP ao longo de sua história.

Dentre algumas tentativas, algumas sementes foram sendo plantadas, mesmo em meio a momentos frágeis da ABP em um contexto nacional. Em 2015, também em um Encontro de Corpus Christi, alguns profissionais continuaram a sonhar, iniciando um Grupo de Trabalho nacional da ABP. O objetivo foi de reestruturação, em busca de uma identidade, em busca de entender quem somos dentro do movimento. E como é lindo sonhar! E o sonho lá de trás por uma estruturação deste movimento tem se concretizado, pela graça de Deus, dia após dia! E sonhamos mais! Sonhamos com a ABP organizada e estruturada em todas as regiões da ABUB, sonhamos com um Assessor Nacional de ABP, bem como com um representante da ABP na Diretoria Nacional, sendo voz ativa e participante como diretor adjunto. Sonhamos com mais grupos de profissionais no movimento, servindo e auxiliando os estudantes, capacitando outros profissionais e contribuindo para o crescimento dessa missão!

Matheus, Daniel e Arianne leem a carta no Encontro de 60 anos em junho

E, por fim, afirmamos que o nosso Senhor é o Deus da missão, é aquele responsável por toda a criação, é quem escuta toda oração e quem transforma todo o coração. Terminamos dizendo que sim, chegamos até aqui, 60 anos nas costas, 60 anos de alegrias, as quais foram proporcionadas pelas muitas histórias e provações. São muitos anos de graça e misericórdia, de fé e esperança, trabalho que nos foi dado, para cumprimos o nosso chamado. Dessa forma, lembramos: “Assim brilhe a luz de vocês sobre o mundo, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus” (Mateus 5:16).

Ouvimos muitas histórias neste Encontro de 60 Anos (E60). Histórias de pessoas que nos motivam e inspiram, pessoas que sonharam e ousaram se mover, contribuindo bastante em suas gerações. Mas precisamos entender que cada geração tem suas questões, seus contextos, seus desafios. Nossa geração tem seus desafios, seu contexto. Hoje, temos percebido estudantes e profissionais que também sonham e ousam servir com fidelidade. A história nos ensina lições grandiosas, mas não nos diz exatamente o que devemos fazer. Cada contexto exige uma forma específica de agir, nossos desafios mudam e precisamos ouvir o que o mundo nos diz hoje. Agora o bastão está conosco, para continuar cumprindo o chamado dessa missão. Em todos os relatos pudemos perceber o legado deixado para nós. E qual legado nós queremos deixar para as próximas gerações?

O convite é: vamos sonhar todos nós - secundaristas, universitários e profissionais - juntos nessa missão, olhando para o futuro, para nossos próximos 60 anos. Que Cristo conduza este movimento em seus sonhos! O Senhor continua escrevendo a história! Louvado seja Cristo Jesus, o nosso Senhor!

*Autores:

  • Arianne Varela Constantino, da ABU Natal (RN) e diretora adjunta de ABU. Estudante de Arquitetura na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, da qual é também bacharel em Direito.
  • Daniel Felipe Pereira de Vasconcelos, da ABP Uberlândia (MG) e diretor de relações públicas. Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Uberlândia, mestrando em Engenharia Biomédica pela Universidade Federal de Uberlândia.
  • Débora Pimentel Vieira, da ABS Natal (RN) e diretora adjunta de ABS. Estudante de ensino médio.
  • Matheus Henrique Botelho Cordeiro, da ABU Juiz de Fora (MG) (também já foi da ABU Curitiba, PR) e diretor adjunto de ABU. Estudante de Engenharia Civil na Universidade Federal de Juiz de Fora.

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