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Iniciativa e Resposabilidade estudantil |
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Iniciativa e Responsabilidade estudantil Ao longo de toda a sua história, os Movimentos que constituem a Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE) têm se caracterizado por uma convicção fundamental: a responsabilidade estudantil na obra universitária.
Uma definição necessária Que entendemos por obra universitária? Confrontar cada estudante com as boas novas da graça de Deus e as afirmações de Cristo como Senhor e Salvador por causa da sua morte em nosso lugar na cruz; convidar cada estudante a aceitá-lo e a submeter-se à sua soberana vontade. Mais ainda, ver que cada estudante cristão se constitui num fiel discípulo de Cristo que busque sua vocação cristã. Diante deste objetivo, a nossa estratégia básica é a de responsabilidade estudantil, onde a iniciativa e a responsabilidade pelo testemunho e pela evangelização na universidade descansam principalmente sobre os ombros dos próprios estudantes. Este é um Movimento essencialmente de estudantes e para estudantes. Se estudantes cristãos são postos pelo Senhor na universidade e, portanto, são responsáveis perante ele pela realização da obra, devem também ter a última palavra nas decisões sobre a obra cristã na universidade. A responsabilidade estudantil não significa que toda a iniciativa proceda dos estudantes, ou que não necessitem da ajuda dos pastores, profissionais, obreiros dos Movimentos e amigos. Significa que, embora a iniciativa às vezes venha de outros (no caso de começar um grupo novo, por exemplo), a meta é sempre estabelecer um grupo plenamente responsável. Esta meta deve determinar os métodos que se empregam (por exemplo, quanto a finanças, exige-se sacrifício ou dá-se tudo numa bandeja aos estudantes ? Quanto à evangelização, busca-se "decisões" ou "discípulos" ? Com respeito à liderança do grupo, procuram-se líderes ou funcionários?). Além disso, significa que, embora os estudantes possam pedir ajuda de pessoas de fora (como é necessário e correto, já que formam parte da Igreja de Cristo e precisam dos membros dela, com seus dons), não devem chegar a depender deles nem estar subordinados a eles.
A base bíblica Como chegamos a esta posição? Tem fundamento bíblico ? Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Queremos nos sujeitar a ela. Assim como cremos que tem que ser a fonte da nossa mensagem, cremos também que tem que ser a fonte de nossos métodos e princípios. Segundo as Escrituras, cada crente é um sacerdote diante de Deus, e portanto, não é necessário se aproximar de Deus através de intermediários humanos (1 Pe 2:4,5,9). Cada crente tem o Espírito Santo morando nele (Atos 2:38, 39; Rom 6:9; 1 Cor 6:19,20). O apóstolo Paulo cria no Espírito Santo; não de uma forma vaga, meramente como um poder espiritual, mas como uma Pessoa que morava nos crentes. Por isso, cria em seus conversos. Podia confiar neles. Não confiava porque ele cresse na virtude natural deles ou na suficiência intelectual deles. Cria que Cristo podia e queria guardar aquilo que seu servo lhes havia encomendado. Cria que Cristo estabeleceria, fortaleceria e confirmaria seus conversos. Ele cria, e atuava de acordo com o que cria. Cada crente deve ser uma testemunha de Cristo. E assim foi na igreja primitiva. A aplicação à nossa situação é evidente: cada cristão universitário compartilha o privilégio e responsabilidade de ser uma testemunha de Cristo para seus colegas. Esta tarefa não é propriedade dos obreiros cristãos nem de alguns especialistas. Ainda que nossos grupos não sejam igrejas locais, no sentido estrito do termo, cremos que os mesmos princípios que devem reger a vida a serviço de uma igreja, têm que reger em todo grupo que leva o nome de Cristo. Se não aceitamos isso, então a Bíblia tem muito pouco a dizer a nossos grupos como grupos. Ora, como atuava Paulo? Depois da conversão de alguns, eles os juntava para formar uma igreja. Dava-lhes instrução básica e simples sobre como alimentar-se e crescer, e ia embora. Confiava em Cristo presente na igreja através de seu Espírito, o tinha por meta final a maturidade em Cristo dos convertidos (Col 1:20; Fil 2:14-16). Na sua pregação buscava conversões genuínas pelo poder do Espírito; em assuntos de finanças, não dava dinheiro mas ensinava sacrifício e responsabilidade; em assuntos de disciplina, apelava à responsabilidade da igreja, de intervir diretamente, no seu ensino, procurava dar o que era prático e útil para os crentes. Como resultado, Paulo estabelecia igrejas locais que eram responsáveis perante Deus por seu próprio crescimento e pela evangelização da região vizinha. Mesmo assim, esta autonomia não significava o rompimento da unidade de todos os crentes em Cristo, nem a independência de outras igrejas, nem a recusa de aceitar ajuda de fora. Paulo não estabelecia uma constituição mas inculcava princípios. Não introduzia nenhuma prática que devesse ser recebida pelos seus próprios peritos ou em nome de nenhuma autoridade humana; lutava para que seus conversos vissem e compreendessem a relação dessa prática com Cristo. Procurava guiá-los a uma convicção intelectual e a uma resposta da consciência. Nunca tratou de força-los à obediência mediante decretos.
Vantagens práticas Levando à prática estes princípios bíblicos descobrimos que há outras considerações que sublinham a importância da responsabilidade estudantil. a) um grupo estudantil goza perante as autoridades universitárias dos direitos correspondentes aos outros universitá-rios. b) um grupo estudantil tem maior aceitação entre os universitários não-cristãos, preci-samente porque é dos estudantes. c) a responsabilidade estudantil responde também às características dos jovens estudantes. Tal abordagem tem toda a fraqueza e instabilidade dos estudantes cristãos, mas também utiliza todo o entusiasmo, a iniciativa, a fé e o amor à aventura que lhes são próprios. d) em muitos casos os universitários cristãos de hoje serão os líderes das igrejas de amanhã. Mais ainda, a história do grande avanço missionário do século passado e do presente contém páginas comoventes de milhares de universitários que responderam ao chamado de Cristo a levar o Evangelho a terras e povos distantes. É a participação na obra de Deus nos anos, na universidade, que estimula ao discipulado e à maturidade espiritual e dá fundamento ao serviço futuro. e) se desenvolvemos o sentido de responsa-bilidade estudantil, evitamos a necessida-de de multiplicação de obreiros e de re-cursos financeiros.
Algumas objeções Sabemos que nem todos compartilham da nossa posição. Temos que considerar seriamente as críticas, a fim de aprendermos e corrigir a nossa prática. Às vezes nos dizem: "um grupo estudantil é instável; corre perigo de excessos e desvios; é capaz de desaparecer repentinamente; falta maturidade, etc. A essa objeção responde-mos que tudo isso é correto, não o negamos. Mas vimos que Paulo estava disposto a arriscar tudo isso, porque confiava no Espírito Santo nos crentes, e sabia que só este caminho conduz à meta da maturidade cristã. É muito triste quando os crentes não fazem nada porque não têm nenhuma responsabilidade. Seria muitíssimo melhor que cometessem muitos erros, caíssem em muitos equívocos e causassem muitas ofensas, do que atrofiar a sua responsabilidade. O Espírito Santo é dado aos cristãos a fim de guiá-los, e não para que torpemente se sujeitem à voz da autoridade. Outra crítica que ouvimos é a seguinte: "os grupos estão mortos. Como vão evangelizar? O que vocês dizem é uma linda teoria, mas não acontece na prática. Por isso, seria melhor empregar princípios e métodos mais eficazes". É verdade que existem grupos que aceitam este princípio mas não fazem nada. Temos que confessar isso. Quantas vezes nós vemos a indiferença e a apatia de certos grupos frente ao mandato do Senhor. Os estudantes de nossos grupos sabem como ter comunhão com o Senhor? Sabem encontrar a vontade de Deus para a vida particular e a vida comunitária? Sabem estudar a Palavra de Deus para alimentar-se e ter algo a compartilhar um com o outro? Sabem o que significa a comunhão juntos no Espírito, e o que é a exortação mútua? Sabem pedir a Deus com fé pelas suas necessidades ? Por mais organização e programa que tenha um grupo, há de fracassar se não está experimentando a obra do Espírito Santo. Sem a fé no Espírito Santo que mora nos cristãos não podemos fazer nada. Sem ela, não podemos reconhecer a graça do Espírito Santo nos nossos conversos, e nunca confiaremos neles, nunca inspiramos neles a confiança no poder do Espírito Santo que mora neles. A confiança que engendra a confiabilidade é o essencial para ter o menor êxito com o método paulino. Quanto à colaboração de obreiros cristãos "profissionais" (obreiros [tempo integral], assessores-auxiliares, pastores, missionários) e de crentes de maior preparo e experiênccia na obra universitária, repetimos que os estudantes têm necessidade da sua ajuda, seja para iniciar o grupo, ensinar, treinar, aconselhar ou pregar a mensagem de Cristo. Os estudantes devem estudar sua situação e convidar aqueles que estão preparados para ajudá-los. Mas a que conduz esta ajuda? Deve ter a finalidade de que o grupo se estabeleça e seja de fato responsável perante o Senhor, ficando em melhores condições de levar a cabo a sua missão (Ef 4:11-13). Não queremos que o grupo dependa de um grupo estranho nem que seja dominado pelos que ministram de acordo com os dons que Cristo lhes dá. Na prática,
sem intervenção de fora, grupos universitários evangélicos
têm surgido repetidamente, com os mesmos princípios e fins
que professamos. O movimento do qual somos herdeiros nasceu por meio da
iniciativa estudantil. Deus põe no coração de um
ou dois o desejo de alcançar os colegas. Eles procuram com quem
orar e servir, e assim nasce um núcleo de testemunho estudantil
evangélico. |